{"id":2730,"date":"2021-10-19T02:57:39","date_gmt":"2021-10-19T00:57:39","guid":{"rendered":"https:\/\/agora-humanite.org\/?p=2730"},"modified":"2021-12-07T04:25:27","modified_gmt":"2021-12-07T03:25:27","slug":"pobreza-uma-realidade-possivel-de-superacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agora-humanite.org\/de\/pobreza-uma-realidade-possivel-de-superacao\/","title":{"rendered":"Pobreza: uma realidade pass\u00edvel de supera\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p class=\"qtranxs-available-languages-message qtranxs-available-languages-message-de\">Leider ist der Eintrag nur auf <a href=\"https:\/\/agora-humanite.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2730\" class=\"qtranxs-available-language-link qtranxs-available-language-link-pt\" title=\"PT\">PT<\/a> verf\u00fcgbar.<\/p><p><em>por Terezinha Baldassini Cravo<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em busca dessa resposta, na condi\u00e7\u00e3o de militante e formadora popular junto \u00e0 realidade da pobreza e h\u00e1 tr\u00eas anos participando da Campanha Permanente Contra a Fome e pela Inclus\u00e3o Social- Paz e P\u00e3o da Arquidiocese de Vit\u00f3ria-ES, problematizo o tema da pobreza propondo \u00a0ao leitor a possibilidade de sonhar com uma sociedade mais justa, que enfrente a pobreza, elimine a fome e as desigualdades sociais, estabelecendo novos pactos de conviv\u00eancia planet\u00e1ria que permitam outras formas de vida, baseadas no respeito \u00e0 diversidade e que incluam todos os seres vivos.<\/p>\n<p>O fato concreto \u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o indigna da Fome cresce no mundo, s\u00e3o 720 milh\u00f5es de famintos. No Brasil, levamos cerca de mais de duas d\u00e9cadas para superar essa triste situa\u00e7\u00e3o e, em apenas cinco anos, voltamos para o mapa da fome. Sair do mapa da fome h\u00e1 sete anos foi um pequeno passo que representou in\u00fameros esfor\u00e7os, mas nem de longe tocamos nas quest\u00f5es que s\u00e3o respons\u00e1veis pela exist\u00eancia da pobreza aqui e acol\u00e1.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que a pandemia ajudou agravar a situa\u00e7\u00e3o da fome e da desigualdade social, mas nem de longe \u00e9 a respons\u00e1vel pela situa\u00e7\u00e3o da pobreza e da fome no Brasil e no mundo. Essa situa\u00e7\u00e3o vem de longo tempo, fruto de um modelo econ\u00f4mico concentrador de renda nas m\u00e3os de poucos, que n\u00e3o investe na cria\u00e7\u00e3o de empregos, moradia, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, principalmente para as fam\u00edlias mais pobres. E agora, vemos a Vida, o Direito Humano mais importante, sendo duplamente amea\u00e7ada, tanto pela pandemia como pelo aumento indigno da pobreza.<\/p>\n<p>Na experi\u00eancia da Campanha Contra a Fome e pela Inclus\u00e3o Social- Paz e P\u00e3o, temos visto crescer um enorme sentimento de solidariedade e mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade civil. Ao nos aproximarmos do flagelo da fome, que devora a vida e a dignidade dos empobrecidos, garantindo\u00a0 cestas b\u00e1sicas mensais, tem sido inevit\u00e1vel nos fazermos perguntas: por que tanta fome e pobreza no mundo? Como transformar a nossa solidariedade em algo mais permanente, que nos fa\u00e7a pensar em alternativas que transforme a vida dessas pessoas? Num mundo de tantas riquezas, por que tanta pobreza? Afinal, nos preocupa o futuro dessas fam\u00edlias, se n\u00e3o vislumbrarmos caminhos para o fim da pobreza no Brasil e no mundo.<\/p>\n<p>O caminho para o fim da fome j\u00e1 come\u00e7ou, quando vemos boa parte da sociedade envolvida com as a\u00e7\u00f5es de solidariedade para que, de imediato, seja garantido o alimento, mas essa ajuda \u00e9 apenas o come\u00e7o de um compromisso que precisa ser mais duradouro com a vida dos pobres. Por isso a import\u00e2ncia de comprometer a sociedade, discutindo alternativas que resgatem a dignidade dessas pessoas que se encontram sem trabalho e renda, muitas ainda sem moradia. S\u00e3o pessoas humildes e gratas pelo alimento que recebem, mas que continuam vivendo em condi\u00e7\u00f5es indignas, numa sociedade que poderia garantir melhores condi\u00e7\u00f5es de vida para elas.<\/p>\n<p>A campanha permanente de combate \u00e0 fome tem questionado as causas que alimentam o conformismo com a exist\u00eancia da pobreza. Para muitas pessoas, \u00e9 como se fosse um destino nascer pobre. Esse olhar de naturaliza\u00e7\u00e3o da pobreza nos incomoda, porque foi constru\u00eddo intencionalmente, para alimentar os interesses dos mais ricos da sociedade, que hoje representam 1% da popula\u00e7\u00e3o no mundo \u2013 que concentram 60% da riqueza do mundo.<\/p>\n<p>Podemos dizer que manter o pobre conformado com a sua situa\u00e7\u00e3o de pobreza e aus\u00eancia de cidadania tem sido a forma com que o poder dominante se perpetua historicamente, para manter a maioria pobre da popula\u00e7\u00e3o sob controle. Hoje, uma das condi\u00e7\u00f5es para ajudarmos a repensar as rela\u00e7\u00f5es injustas da sociedade no Brasil e no mundo \u00e9 desconstruir esse imagin\u00e1rio de conformismo, que as impedem de acessar a cidadania de direitos b\u00e1sicos, para uma vida de dignidade.<\/p>\n<p>A\u00a0 hist\u00f3ria de coloniza\u00e7\u00e3o, marcada pela elimina\u00e7\u00e3o\/explora\u00e7\u00e3o dos povos nativos e negros no Brasil e na Am\u00e9rica lLatina, faz com que compreendamos esse conformismo com a pobreza aqui no Brasil. Durante tr\u00eas s\u00e9culos, recursos naturais da Am\u00e9rica Latina foram explorados por diversos pa\u00edses europeus que cresceram \u00e0s custas das riquezas dos pa\u00edses considerados subdesenvolvidos.\u00a0 Desse modo, foi mais f\u00e1cil para os pa\u00edses\u00a0 europeus conquistarem avan\u00e7os importantes no s\u00e9culo XIX, chegando ao Estado de Bem-Estar Social. Essa conquista pactuada entre governo, trabalhadores e empres\u00e1rios, garantiu ao povo europeu, por um longo per\u00edodo, os direitos sociais b\u00e1sicos para uma vida digna.<\/p>\n<p>No Brasil, ap\u00f3s v\u00e1rias tentativas hist\u00f3ricas frustradas de dar mais dignidade de vida aos pobres, por meio de pol\u00edticas p\u00fablicas mais consistentes, vimos a esperan\u00e7a da inclus\u00e3o social \u00a0\u00a0reascender no final do s\u00e9culo XX, com o programa Comunidade Solid\u00e1ria, coordenado por Ruth Cardoso, evoluindo no s\u00e9culo XXI com pol\u00edticas de distribui\u00e7\u00e3o de renda, no per\u00edodo de 2003- 2016, com os governos Lula e Dilma. Os direitos sociais que pa\u00edses europeus haviam garantido para toda a sua popula\u00e7\u00e3o, com dois s\u00e9culos de anteced\u00eancia, aqui no Brasil come\u00e7avam a ser garantidos, ainda que de forma t\u00edmida, por meio de in\u00fameras pol\u00edticas p\u00fablicas consistentes, voltadas para as classes populares.<\/p>\n<p>Como em outros tempos hist\u00f3ricos, essa pequena inclus\u00e3o iniciada no pa\u00eds incomodou as classes dominantes, que, por caminhos perversos, atrav\u00e9s de um golpe institucional, impedem a continuidade desse projeto. Assim, as classes dominantes, por meio da globaliza\u00e7\u00e3o, agem no mundo para impedir o fim da pobreza, pois \u00e9 pela sua manuten\u00e7\u00e3o que constroem seus lucros imorais.<\/p>\n<p>Tem sido pela globaliza\u00e7\u00e3o e financeiriza\u00e7\u00e3o da economia que uma pequena parcela da sociedade se beneficia com altos lucros banc\u00e1rios, e do outro lado os pobres n\u00e3o t\u00eam o recurso para a compra de uma cesta b\u00e1sica. Se a pobreza \u00e9 fruto de uma constru\u00e7\u00e3o social injusta, por que n\u00e3o um movimento inverso? Ou seja, pensar uma constru\u00e7\u00e3o social, envolvendo esse grande movimento de solidariedade presente no Brasil, que tenha a firme determina\u00e7\u00e3o de <strong>acabar com a pobreza<\/strong>, num tempo hist\u00f3rico que considerarmos poss\u00edvel e sem interrup\u00e7\u00e3o, pelo di\u00e1logo entre sociedade, governo e mercado financeiro.<\/p>\n<p>Recorrendo a hist\u00f3ria, vamos entendendo por que \u00e9 t\u00e3o importante manter a maioria pobre da sociedade conformada e alienada dos verdadeiros motivos que geram as injusti\u00e7as sociais. O modelo de globaliza\u00e7\u00e3o e financeiriza\u00e7\u00e3o que inclui apenas os mais ricos mostrou-se ineficaz para os interesses da maioria da sociedade. Somos chamados a refletir e repensar esse modelo estrutural que \u00e9 o respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o da pobreza.\u00a0 Papa Francisco nos interpela a \u201c<em>re almar<\/em>\u201d a economia e a buscar um novo jeito de nos relacionarmos com a nossa casa comum, a Terra.<\/p>\n<p>O movimento internacional \u00c1gora de Habitantes da Terra, assim como o Papa Francisco, tamb\u00e9m nos provoca a repensar esse mundo, reconhecendo que esse modelo de globaliza\u00e7\u00e3o predat\u00f3rio e desumano n\u00e3o responde aos problemas centrais do planeta Terra. Esse movimento aponta algumas ousadias, dentre as quais destaco duas, ambas important\u00edssimas: a luta para <strong>TORNAR A POBREZA ILEGAL NO MUNDO E A DEFESA DAS \u00c1GUAS. <\/strong>Essas ousadias<strong> provocam dimens\u00f5es maiores de solidariedade e processos de cidadania comprometidos com a vida de todos os habitantes da terra.<\/strong><\/p>\n<p>A solidariedade como ato de amor ao pr\u00f3ximo nos provoca a enxergar na pessoa pobre e vulner\u00e1vel que encontramos nas ruas, ou aquelas a que atendemos pelas campanhas, as mazelas de uma sociedade que n\u00e3o lhes garante direitos b\u00e1sicos. As mazelas vividas por esse sistema gerador de pobreza se expressam para essas fam\u00edlias na falta emprego, habita\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, cultura, lazer e, muitas vezes, na esperan\u00e7a, j\u00e1 que aprenderam que a pobreza \u00e9 algo natural e n\u00e3o uma constru\u00e7\u00e3o social injusta, a ser enfrentada e mudada.<\/p>\n<p>Iniciei este texto convidando o leitor a sonhar com uma sociedade mais justa, e agora o convite \u00e9 para esperan\u00e7ar possibilidades, a partir de uma constru\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica que envolva esse grande movimento de solidariedade que vivemos na sociedade, em decorr\u00eancia da pandemia. O primeiro passo \u00e9 assumirmos coletivamente uma luta mais permanente e propositiva na sociedade, junto aos poderes locais\/nacionais, enfrentando as mazelas da pobreza e da destrui\u00e7\u00e3o do nosso planeta, que, como j\u00e1 evidenciamos, \u00e9 fruto de op\u00e7\u00f5es ego\u00edstas de uma minoria rica que imp\u00f5em um modelo econ\u00f4mico, social e pol\u00edtico de exclus\u00e3o dos pobres, porque n\u00e3o acreditam nos direitos \u00e0 vida e \u00e0 cidadania para todos.<\/p>\n<p>A pandemia evidenciou que estamos diante de um momento delicado no Brasil e no mundo, em que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel continuarmos alimentando a pobreza e a destrui\u00e7\u00e3o do planeta. A nossa solidariedade deve ser capaz de pensar alternativas que v\u00e3o al\u00e9m da cesta b\u00e1sica e desse modo desumano de tratar os nossos recursos naturais. A cultura da fartura para poucos e de um Estado que n\u00e3o garante os direitos sociais b\u00e1sicos precisa ser enfrentada por todos que se colocam a favor da vida. \u00c9 nesse mutir\u00e3o pela Vida que os movimentos de solidariedade da sociedade civil podem reivindicar e conquistar o fim da pobreza e da destrui\u00e7\u00e3o ambiental no Brasil e no mundo.<\/p>\n<p>Os prazos para uma grande destrui\u00e7\u00e3o do planeta j\u00e1 est\u00e3o sendo anunciados pela ci\u00eancia, caso os seres humanos comprometidos com a defesa da Vida n\u00e3o enfrentem as causas geradoras das desigualdades sociais. Aos 1% dos mais ricos interessa um Estado fraco e comandado pelos interesses do capital financeiro, cuja l\u00f3gica est\u00e1 pautada em privatiza\u00e7\u00f5es, desemprego em massa, nega\u00e7\u00e3o dos direitos b\u00e1sicos j\u00e1 conquistados, autoritarismo &#8211; e no mais perverso de tudo, acabar com o que ainda resta de riqueza ambiental na Amaz\u00f4nia, que vem sendo preservada h\u00e1 mais de 500 anos pela luta e resist\u00eancia dos povos origin\u00e1rios na Am\u00e9rica Latina. \u00c9 tempo de escolher o lado que queremos fortalecer: o da Vida para todos\/as habitantes da Terra ou o da Barb\u00e1rie? Felizmente as campanhas de solidariedade j\u00e1 est\u00e3o fazendo a op\u00e7\u00e3o pela Vida.<\/p>\n<hr \/>\n<p>(imagem: Os retirantes, C\u00e2ndido Portinari)<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leider ist der Eintrag nur auf PT verf\u00fcgbar.por Terezinha Baldassini Cravo &nbsp; Em busca dessa resposta, na condi\u00e7\u00e3o de militante e formadora popular junto \u00e0 realidade da pobreza e h\u00e1 tr\u00eas anos participando da Campanha Permanente Contra a Fome e pela Inclus\u00e3o Social- Paz e P\u00e3o da Arquidiocese de Vit\u00f3ria-ES, problematizo o tema da pobreza [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":2731,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"chapitres":[86],"structures":[],"class_list":["post-2730","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","chapitres-bresil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/de\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2730"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/de\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/de\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/de\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/de\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2730"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/de\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2730\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2840,"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/de\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2730\/revisions\/2840"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/de\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2731"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/de\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2730"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/de\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2730"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/de\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2730"},{"taxonomy":"chapitres","embeddable":true,"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/de\/wp-json\/wp\/v2\/chapitres?post=2730"},{"taxonomy":"structures","embeddable":true,"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/de\/wp-json\/wp\/v2\/structures?post=2730"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}