{"id":2843,"date":"2021-12-15T02:53:19","date_gmt":"2021-12-15T01:53:19","guid":{"rendered":"https:\/\/agora-humanite.org\/?p=2843"},"modified":"2021-12-15T02:54:38","modified_gmt":"2021-12-15T01:54:38","slug":"direitos-humanos-e-direitos-da-natureza-uma-perspectiva-biocentrica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agora-humanite.org\/en\/direitos-humanos-e-direitos-da-natureza-uma-perspectiva-biocentrica\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos e Direitos da Natureza: uma perspectiva bioc\u00eantrica"},"content":{"rendered":"<p class=\"qtranxs-available-languages-message qtranxs-available-languages-message-en\"><span class=\"qtrmessage\">Sorry, this entry is only available in <a href=\"https:\/\/agora-humanite.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2843\" class=\"qtranxs-available-language-link qtranxs-available-language-link-pt\" title=\"PT\">PT<\/a>.<\/span><\/p><p>por Carlos Alberto de Moraes<\/p>\n<p>* professor, pedagogo, membro do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Betim-MG<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O final do s\u00e9culo passado e o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI impuseram \u00e0 humanidade duas constata\u00e7\u00f5es inevit\u00e1veis. Primeira: somos parte integrante da Natureza. N\u00e3o estamos fora da Natureza, como a modernidade apregoou. <em>Somos<\/em> Natureza. Formamos, com ela, uma totalidade, uma integralidade, uma completude. Por isso, dever\u00edamos consolidar alian\u00e7as e construir formas harm\u00f4nicas de conviv\u00eancia com todos os seres vivos. Vista do espa\u00e7o, a Terra n\u00e3o tem fronteiras, nem distin\u00e7\u00e3o de pessoas, nem divis\u00f5es geopol\u00edticas. \u00c9 um grande organismo, vivo e pulsante, que respira, transforma-se, renova-se, sente. \u00a0Segunda constata\u00e7\u00e3o: a Natureza n\u00e3o \u00e9 infinita, n\u00e3o \u00e9 inesgot\u00e1vel. Os efeitos produzidos pelas megamineradoras, pela atividade petrol\u00edfera, pela contamina\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos, pela destrui\u00e7\u00e3o de florestas, pela agropecu\u00e1ria, pela monocultura, pelo uso indiscriminado de agrot\u00f3xicos e de alimentos geneticamente modificados, s\u00e3o devastadores. O surgimento e a consolida\u00e7\u00e3o das sociedades capitalistas est\u00e3o envoltos na ideia de que a Natureza deve ser dominada, submetida e explorada ao m\u00e1ximo. Uma economia insensata e um estilo de vida baseados na vis\u00e3o ideol\u00f3gica da acumula\u00e7\u00e3o de bens nos conduzir\u00e3o, inexoravelmente, ao colapso do planeta. A Terra n\u00e3o conseguir\u00e1 absorver e resistir ao impacto voraz e aniquilador que ronda nosso futuro. Ferida pelas pol\u00edticas neoextrativistas predat\u00f3rias, a Natureza grita seus limites e reclama aten\u00e7\u00e3o e respeito.<\/p>\n<p>Nesse contexto \u00e9 que se localiza a concep\u00e7\u00e3o da Natureza como sujeito de direitos; que se constr\u00f3i uma alternativa \u00e0 narrativa desenvolvimentista; e que se questiona o antropocentrismo estruturante das sociedades ocidentais. Rejeita-se, portanto, o uso utilitarista da Natureza e advoga-se uma \u00e9tica bioc\u00eantrica que consiga salvar o planeta, nossa Casa Comum, com a ado\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas ambientais que permitam a conviv\u00eancia soror fraternal, a justi\u00e7a ecossocial e o desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Assim, o caminho que temos pela frente \u00e9 o de nos desvestirmos da pretensa autossufici\u00eancia civilizat\u00f3ria, do endeusamento que erigimos de n\u00f3s mesmos enquanto seres soberanos e conquistadores, e de, humildemente, delinearmos o reencontro e a reconcilia\u00e7\u00e3o com a Natureza, tentando atingir a completa e absoluta integra\u00e7\u00e3o. Para alcan\u00e7ar tal objetivo, temos que aplainar as veredas do paradigma civilizat\u00f3rio ocidental e subvert\u00ea-lo revolucionariamente, mantendo-nos sens\u00edveis \u00e0 aprendizagem libertadora que as culturas ancestrais de di\u00e1logo fecundo e respeitoso com a Natureza podem nos trazer. Em outras palavras, dever\u00edamos desmercantilizar a Natureza. A economia e os programas de desenvolvimento dos povos t\u00eam que considerar e se subordinar aos direitos \u00e0 dignidade humana e \u00e0 dignidade da Natureza. Sem negar as individualidades, o novo paradigma estabelece que, juntos, seres humanos e natureza formamos uma comunidade de vida e que o valor da vida se sobrep\u00f5e a qualquer sistema que, amparando-se na produ\u00e7\u00e3o e no progresso, despreze os riscos iminentes de destrui\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia humana na face do planeta.<\/p>\n<p>Urge, portanto, que a conscientiza\u00e7\u00e3o e as a\u00e7\u00f5es ocorram em v\u00e1rias esferas, na busca de solu\u00e7\u00f5es ambientais dignas e de sobreviv\u00eancia do grande organismo que \u00e9 Gaia, nossa m\u00e3e-Terra. Pa\u00edses que se enriqueceram \u00e0 custa da explora\u00e7\u00e3o de col\u00f4nias devem ser exemplo de pol\u00edticas sustent\u00e1veis internas e devem se penitenciar e assumir a responsabilidade na restaura\u00e7\u00e3o dos danos ecol\u00f3gicos que causaram devido \u00e0 explora\u00e7\u00e3o desmedida. Pa\u00edses empobrecidos e despojados de suas riquezas naturais durante s\u00e9culos devem voltar-se para escolhas pol\u00edticas e econ\u00f4micas que considerem a sustentabilidade como eixo de seus projetos de sociedade. Ativistas em direitos e movimentos sociais necessitam re-unir for\u00e7as, entusiasmo e intelig\u00eancia para questionar a organiza\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtica ocidental antropoc\u00eantrica e consumista em que nos movemos e existimos. Diante do espectro da ultradireita mundial que assoma no horizonte neste in\u00edcio de mil\u00eanio e diante do dissimulado neoliberalismo excludente e criador de desigualdades, um novo mundo poss\u00edvel n\u00e3o pode ser sonhado sem que desencadeemos esfor\u00e7os para que todos e todas tenham vida e a tenham em abund\u00e2ncia. Somente uma nova organiza\u00e7\u00e3o social que considere que os direitos humanos est\u00e3o intimamente entrela\u00e7ados aos direitos da Natureza conseguir\u00e1 preservar o planeta, nossa Arca comum, e, consequentemente, toda a humanidade da total extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 direito da Natureza ser preservada. \u00c9 direito da Natureza ser restaurada quando sofrer qualquer processo de destrui\u00e7\u00e3o. \u00c9 direito da Natureza que haja controle do capital financeiro internacionalizado, a fim de que o Estado n\u00e3o seja manipulado, fazendo sangrar a terra, fazendo chorar os rios e oceanos, fazendo queimar flora e fauna, fazendo biomas inteiros definharem.<\/p>\n<p>Na perspectiva bioc\u00eantrica, as religi\u00f5es n\u00e3o desconsideram mais os direitos da Natureza e as ci\u00eancias humanas n\u00e3o conseguem mais desvincular os seres sociopol\u00edticos dos direitos da Natureza. \u00c9 fundamental, pois, que atuemos com direitos humanos sem negligenciar os direitos da Natureza e sem negar as evidentes interconex\u00f5es. Talvez, um novo olhar sobre a centralidade da vida em todas as suas dimens\u00f5es seja um pequeno passo para uma grande mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(foto de lifeforstock para Freepik Brasil)<\/p>\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sorry, this entry is only available in PT.por Carlos Alberto de Moraes * professor, pedagogo, membro do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Betim-MG &nbsp; O final do s\u00e9culo passado e o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI impuseram \u00e0 humanidade duas constata\u00e7\u00f5es inevit\u00e1veis. Primeira: somos parte integrante da Natureza. 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