{"id":3889,"date":"2026-08-02T11:10:04","date_gmt":"2026-08-02T09:10:04","guid":{"rendered":"https:\/\/agora-humanite.org\/?p=3889"},"modified":"2026-08-02T16:44:45","modified_gmt":"2026-08-02T14:44:45","slug":"lappel-de-cascais-regenerer-leau-et-la-vie-de-la-terre-une-oeuvre-collective-de-lhumanite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agora-humanite.org\/pt\/lappel-de-cascais-regenerer-leau-et-la-vie-de-la-terre-une-oeuvre-collective-de-lhumanite\/","title":{"rendered":"O Apelo de Cascais Regenerar a \u00e1gua e a vida da Terra. Uma obra coletiva da humanidade."},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><i>N\u00e3o se trata de restaurar um passado em decl\u00ednio, mas de abrir novos horizontes de possibilidades para o futuro, rumo a um mundo mais justo, mais solid\u00e1rio e mais pac\u00edfico.<\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: large;\"><span lang=\"it-IT\"><i><b>De onde vem o Apelo?<\/b><\/i><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">O Apelo de Cascais surgiu no \u00e2mbito da primeira edi\u00e7\u00e3o da Bienal da \u00c1gua 2026 de Portugal, centrada no tema \u00ab<\/span><span lang=\"it-IT\"><i>As pegadas da \u00e1gua<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">\u00bb, que teve in\u00edcio em Cascais a 16 de julho com uma confer\u00eancia internacional sobre \u00ab<\/span><span lang=\"it-IT\"><i>O desafio planet\u00e1rio da \u00e1gua e da vida. Caminhos de regenera\u00e7\u00e3o<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">\u00bb. A confer\u00eancia foi dedicada ao \u00ab<\/span><span lang=\"it-IT\"><u>Manifesto da \u00c1gua<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\">\u00bb, de h\u00e1 30 anos, promovido pelo Comit\u00e9 Internacional para o Contrato Mundial da \u00c1gua, presidido por M\u00e1rio Soares, na altura Presidente da Rep\u00fablica de Portugal. Com isto, os organizadores da Bienal pretenderam prestar homenagem a M\u00e1rio Soares pelo seu empenho em prol do direito universal \u00e0 \u00e1gua e da \u00e1gua como bem comum p\u00fablico essencial \u00e0 vida.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">A descoloniza\u00e7\u00e3o dos bens comuns p\u00fablicos mundiais do dom\u00ednio do dinheiro e do mercado e a reafirma\u00e7\u00e3o dos direitos universais \u00e0 vida para todos, na justi\u00e7a, inspiraram o Manifesto e o seu sucesso internacional. Este esp\u00edrito presidiu aos nossos trabalhos, refor\u00e7ando a prioridade das nossas propostas a favor de uma pol\u00edtica planet\u00e1ria da \u00e1gua que vise a regenera\u00e7\u00e3o da vida na justi\u00e7a, solidariedade, democracia e fraternidade. A preda\u00e7\u00e3o da vida \u00e9 uma nega\u00e7\u00e3o do futuro.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: x-large;\"><span lang=\"it-IT\"><b>A. A \u00e1gua \u00e9 vida, a pol\u00edtica da \u00e1gua \u00e9 a pol\u00edtica da vida<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>1<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\">. <\/span><span lang=\"it-IT\"><i><b>O Apelo de Cascais dirige-se<\/b><\/i><\/span><b> <\/b><span lang=\"it-IT\"><i><b>a todos aqueles que, em todo o mundo, sofrem<\/b><\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"><b> e <\/b><\/span><span lang=\"it-IT\"><i><b>s\u00e3o as principais v\u00edtimas<\/b><\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"> daquilo que a Universidade das Na\u00e7\u00f5es Unidas definiu, em dezembro de 2025, como \u00aba fal\u00eancia h\u00eddrica mundial\u00bb, um verdadeiro colapso do sistema mundial dominante de gest\u00e3o da \u00e1gua e de todos os bens comuns vitais. No entanto, estas v\u00edtimas n\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis por essa fal\u00eancia, o que constitui um sinal evidente da injusti\u00e7a que domina as rela\u00e7\u00f5es sociais no mundo de hoje.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><i>Dirige-se tamb\u00e9m \u00e0queles e \u00e0quelas que lutam no terreno<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">, incluindo ONG e organiza\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas, para contribuir para garantir o direito \u00e0 \u00e1gua e a salvaguarda da \u00e1gua enquanto bem comum p\u00fablico mundial, Os processos de mercantiliza\u00e7\u00e3o, liberaliza\u00e7\u00e3o e desregulamenta\u00e7\u00e3o, bem como de privatiza\u00e7\u00e3o e financeiriza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e dos servi\u00e7os h\u00eddricos, n\u00e3o fizeram sen\u00e3o alastrar-se no \u00e2mbito da globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal do mundo, que favoreceu a explos\u00e3o dos fen\u00f3menos de acapara\u00e7\u00e3o de terras e de \u00e1gua e a sua espolia\u00e7\u00e3o por parte dos grandes grupos agroalimentares, t\u00eaxteis, farmac\u00eauticos, extrativos e inform\u00e1ticos, com o apoio do mundo banc\u00e1rio e financeiro, nomeadamente os fundos de investimento privados acionistas. A grave distor\u00e7\u00e3o entre os objetivos perseguidos pelos acaparadores dos bens comuns e as necessidades\/direitos das popula\u00e7\u00f5es dos territ\u00f3rios acaparados \u00e9 uma ilustra\u00e7\u00e3o importante, entre tantas outras, das causas na origem da fal\u00eancia h\u00eddrica mundial. <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>N\u00e3o se podem gerir corretamente os bens comuns vitais atrav\u00e9s do roubo!<\/u><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">Os 4,2 mil milh\u00f5es de seres humanos que n\u00e3o disp\u00f5em de \u00e1gua pot\u00e1vel de forma regular e segura est\u00e3o em correla\u00e7\u00e3o direta com o grave problema alimentar mundial e com a exist\u00eancia de 4,5 mil milh\u00f5es de pessoas sem qualquer prote\u00e7\u00e3o de sa\u00fade b\u00e1sica. <\/span>Isto \u00e9 inadmiss\u00edvel. Eles precisam daqueles e daquelas que lutam, pois os grupos dominantes n\u00e3o t\u00eam qualquer inten\u00e7\u00e3o de mudar a situa\u00e7\u00e3o. Atualmente, os dominantes convidam as v\u00edtimas a tornarem-se resilientes, capazes de resistir aos choques e de mitigar a viol\u00eancia dos efeitos da fal\u00eancia clim\u00e1tica, bem como de se adaptarem \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es de vida, cada vez mais dif\u00edceis. <u>N\u00e3o prop\u00f5em qualquer mudan\u00e7a estrutural. N\u00f3s propomos caminhos de mudan\u00e7a<\/u>.<\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>2. <\/b><\/span><span lang=\"it-IT\"><i><b>A obra de regenera\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e da vida necessita de comunidades locais respons\u00e1veis pela vida em comum e orientadas pelo objetivo de otimizar a conviv\u00eancia<\/b><\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"><i><u>.<\/u><\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><u>As comunidades locais s\u00e3o o primeiro espa\u00e7o (<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\"><i><u>oikos<\/u><\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"><u>) onde os seres humanos desenvolvem os bens comuns p\u00fablicos essenciais \u00e0 vida (\u00e1gua, alimenta\u00e7\u00e3o, ar, sa\u00fade, habita\u00e7\u00e3o, transportes, conhecimento, educa\u00e7\u00e3o\u2026). S\u00e3o elas que constroem a sociedade. <\/u><\/span><span lang=\"it-IT\">Ao salvaguardarem os bens comuns p\u00fablicos, criam as condi\u00e7\u00f5es para garantir a promo\u00e7\u00e3o dos direitos universais \u00e0 vida, na igualdade. Ao destru\u00edrem os bens comuns p\u00fablicos, os dominantes de hoje destroem os fundamentos jur\u00eddicos e pol\u00edticos dos direitos universais \u00e0 vida e, consequentemente, da sociedade. \u00c9 por esta raz\u00e3o que a regenera\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e da vida passa pela reconstru\u00e7\u00e3o dos bens comuns p\u00fablicos mundiais e dos direitos universais \u00e0 vida (ver as cinco primeiras propostas na sec\u00e7\u00e3o \u00abpropostas\u00bb).<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">Recorde-se tamb\u00e9m que a gest\u00e3o da \u00e1gua deve basear-se na participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os e na procura de pr\u00e1ticas locais melhor concebidas para estar ao servi\u00e7o do bem comum e de um futuro solid\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>3.<\/b><\/span> <strong><span lang=\"it-IT\"><i>A regenera\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e da vida \u00e9 da responsabilidade da humanidade.<\/i><\/span><\/strong><span lang=\"it-IT\"><br \/>\nNo entanto, h\u00e1 um grande obst\u00e1culo a eliminar, nomeadamente a inexist\u00eancia da humanidade enquanto sujeito institucional, pol\u00edtico e jur\u00eddico de regula\u00e7\u00e3o pluralista e descentralizada da comunidade global de vida da Terra. Uma quest\u00e3o j\u00e1 abordada no Manifesto da \u00c1gua, mas que, at\u00e9 hoje, permanece sem resposta e sem solu\u00e7\u00f5es concretas. Ora, <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>a incapacidade manifesta das classes dominantes de colocar a quest\u00e3o no topo da agenda mundial<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\"> por ocasi\u00e3o da primeira Cimeira da Terra, no Rio de Janeiro, em 1992, deve-se a dois fatores-chave. Em primeiro lugar, <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>as classes dominantes n\u00e3o t\u00eam uma vis\u00e3o planet\u00e1ria da humanidade e, consequentemente, uma consci\u00eancia pol\u00edtica da humanidade<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\"> (e do mundo natural) e da sua necess\u00e1ria institucionaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e jur\u00eddica. O pilar central da sua vis\u00e3o pol\u00edtico-institucional do presente e do futuro continua a ser o Estado nacional ou a na\u00e7\u00e3o-Estado <\/span><span lang=\"it-IT\"><i><u>Eles continuam a \u00abconceber a na\u00e7\u00e3o-Estado como o sujeito titular, detentor da soberania\u00bb<\/u><\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">. Em segundo lugar, j\u00e1 a partir da d\u00e9cada de 1970, essas mesmas classes come\u00e7aram a transferir a soberania pol\u00edtica efetiva para sujeitos difusos, tais como o mercado, a moeda, o capital e a governa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">A este respeito, a Confer\u00eancia de Cascais <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>manifesta a sua grande preocupa\u00e7\u00e3o<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\"> relativamente aos perigos que amea\u00e7am o futuro da pol\u00edtica mundial da \u00e1gua \u2014 nomeadamente no que diz respeito \u00e0 salvaguarda da vida e \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o dos direitos universais \u00e0 \u00e1gua, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e \u00e0 sa\u00fade dos habitantes da Terra \u2014 caso <\/span><span lang=\"it-IT\"><i>a Confer\u00eancia da ONU sobre a \u00c1gua, de 8 a 10 de dezembro de 2026, em Abu Dhabi, se deixe levar exclusivamente por interesses financeiros e tecnocr\u00e1ticos, um resultado que os seus documentos preparat\u00f3rios j\u00e1 deixam entrever.<\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">Um exemplo importante desta transfer\u00eancia \u00e9 a Uni\u00e3o Europeia. O Tratado de Maastricht de 1992 alterou o nome \u00ab<\/span><span lang=\"it-IT\"><i>Comunidade Europeia<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">\u00bb para \u00ab<\/span><span lang=\"it-IT\"><i>Uni\u00e3o Europeia<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"><u>\u00bb.<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\"> Ao mesmo tempo, criou o \u00ab<\/span><span lang=\"it-IT\"><i>mercado interno \u00fanico<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">\u00bb e a \u00ab<\/span><span lang=\"it-IT\"><i>moeda \u00fanica<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">\u00bb, sem, no entanto, criar um Estado pol\u00edtico (por exemplo, federal) europeu. No que diz respeito \u00e0 moeda, o Tratado conferiu mesmo ao Banco Central Europeu (BCE) o estatuto jur\u00eddico de institui\u00e7\u00e3o distinta e politicamente independente das outras institui\u00e7\u00f5es europeias. As consequ\u00eancias desta nova arquitetura da UE para a pol\u00edtica europeia da \u00e1gua foram muito significativas. Por um lado, a pol\u00edtica da \u00e1gua continua a ser da compet\u00eancia \u00abnacional\u00bb dos Estados-Membros, que competem entre si. A Diretiva-Quadro Europeia da \u00c1gua, de 2000, n\u00e3o deixa quaisquer d\u00favidas a este respeito. No entanto, uma vez que os dois principais dom\u00ednios do poder pol\u00edtico do sistema da UE passaram a ser o mercado \u00fanico interno e a moeda \u00fanica, nem os Estados-Membros nem as institui\u00e7\u00f5es europeias (incluindo o Parlamento Europeu) podem adotar medidas no dom\u00ednio da \u00e1gua que sejam contr\u00e1rias \u00e0s normas que regulam o mercado \u00fanico de bens e servi\u00e7os.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">Isto significa que, <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>no contexto da UE, a soberania em mat\u00e9ria de \u00e1gua est\u00e1 agora nas m\u00e3os dos intervenientes dos mercados e do setor financeiro e n\u00e3o nas dos Estados-Membros e das comunidades locais<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\">. O mesmo se aplica no dom\u00ednio da soberania monet\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>4. <\/b><\/span><span lang=\"it-IT\"><i><b>Quando se fala de \u00e1gua<\/b><\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">O caso da UE p\u00f5e em evid\u00eancia um fen\u00f3meno social de grande import\u00e2ncia ao qual nos referimos v\u00e1rias vezes ao longo da confer\u00eancia e cuja tradu\u00e7\u00e3o concreta no universo muito variado das rela\u00e7\u00f5es entre indiv\u00edduos e entre comunidades demora a configurar-se de forma consciente: <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>quando se fala de \u00e1gua, j\u00e1 n\u00e3o se pode falar apenas e principalmente de recursos h\u00eddricos, naturais, de tecnologias, de infraestruturas, de mercados financeiros e da sua gest\u00e3o.<\/u><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">Sem hierarquizar nem opor uma dimens\u00e3o \u00e0 outra, uma rela\u00e7\u00e3o local \u00e0 nacional ou internacional, o ser humano \u00e0 tecnologia, o sentimental ao lucro, a evid\u00eancia diz-nos que <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>pensar, falar e agir no dom\u00ednio da \u00e1gua \u00e9 pensar, falar e agir sobre a vida em todas as suas dimens\u00f5es interligadas. <\/u><\/span><span lang=\"it-IT\"><i>A pol\u00edtica da vida implica a capacidade das sociedades que comp\u00f5em a comunidade global de vida da Terra de assegurar, em conjunto e em solidariedade, o dom\u00ednio da complexidade da vida.<\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">Exemplos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Centenas de milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo consideram que os rios s\u00e3o entidades sagradas. <span lang=\"it-IT\">V\u00e3o mesmo al\u00e9m da reivindica\u00e7\u00e3o de reconhecer o rio como uma personalidade jur\u00eddica. Quando a popula\u00e7\u00e3o maori, um povo origin\u00e1rio da atual Nova Zel\u00e2ndia, continua a lutar para salvaguardar e promover a vida do seu rio, o Wanganui, a \u00fanica raz\u00e3o que apresentam \u00e9 \u00ab<\/span><span lang=\"it-IT\"><i>o rio somos n\u00f3s \u00bb<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">! Esta afirma\u00e7\u00e3o explica-se por v\u00e1rios fatores hist\u00f3ricos e atuais a n\u00edvel humano, social, das rela\u00e7\u00f5es com a natureza, dos processos de identidade coletiva, dos sentimentos de perten\u00e7a, do desejo de participar na gest\u00e3o da vida do seu territ\u00f3rio e do orgulho em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua responsabilidade\u2026 \u00c9 in\u00fatil opor-lhes o valor da \u00e1gua de acordo com as cota\u00e7\u00f5es da Bloomberg.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">Para al\u00e9m das infraestruturas vis\u00edveis (aquedutos, esta\u00e7\u00f5es de tratamento de \u00e1guas residuais, instala\u00e7\u00f5es de dessaliniza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do mar, po\u00e7os, reservat\u00f3rios, bacias\u2026), <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>\u00e9 preciso ter em conta as infraestruturas invis\u00edveis (<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\">a hist\u00f3ria, a cultura local, os comportamentos da classe pol\u00edtica, as estrat\u00e9gias dos detentores de capital, a legisla\u00e7\u00e3o internacional, as narrativas dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social&#8230;) . Basta pensar no papel determinante desempenhado pela publicidade na explos\u00e3o do consumo mundial di\u00e1rio de \u00e1guas minerais em garrafas de pl\u00e1stico, em detrimento da \u00e1gua pot\u00e1vel da torneira e das fontes em locais p\u00fablicos (nomeadamente escolas). Esta explos\u00e3o (<\/span><span lang=\"it-IT\"><u>em 2025, a ind\u00fastria produziu 600 mil milh\u00f5es de garrafas de pl\u00e1stico para \u00e1gua, o que representa 220 milh\u00f5es de toneladas!<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\">) est\u00e1 na origem de uma das mais graves contamina\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas do ambiente e dos seres humanos (atrav\u00e9s dos micropl\u00e1sticos). A exalta\u00e7\u00e3o da \u00e1gua mineral engarrafada tem pouco a ver com a \u00e1gua: o que se exalta para cativar o consumidor \u00e9 a frescura, a juventude, o prazer, a pureza, a leveza, a facilidade de utiliza\u00e7\u00e3o em todas as circunst\u00e2ncias, a liberdade, ignorando as quest\u00f5es dos pre\u00e7os, dos lucros enormes das grandes empresas mundiais, dos danos ambientais associados ao pl\u00e1stico e aos transportes rodovi\u00e1rios\u2026,<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>5<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\">. <\/span><strong><span lang=\"it-IT\"><i>E E o que dizer das rela\u00e7\u00f5es entre a guerra e a \u00e1gua?<\/i><\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A guerra \u00e9 uma das \u00abproezas humanas\u00bb mais insensatas, irracionais e criminosas. <span lang=\"it-IT\">Ela expressa o fracasso total da humanidade, Fazemos parte das gera\u00e7\u00f5es que prepararam e desencadearam as guerras atuais no mundo, em particular a guerra \u00abmundial\u00bb na Ucr\u00e2nia entre os Estados Unidos\/OTAN e a R\u00fassia, bem como a guerra genocida de Israel contra os palestinianos, as guerras no Sud\u00e3o, no Congo\u2026<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">O acesso \u00e0 \u00e1gua, a utiliza\u00e7\u00e3o nociva da \u00e1gua e a explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria da \u00e1gua est\u00e3o na origem de conflitos entre pessoas, comunidades locais, regi\u00f5es, ribeirinhos da mesma bacia hidrogr\u00e1fica, popula\u00e7\u00f5es a montante e a jusante do mesmo rio. <\/span>Se estes conflitos levam as comunidades \u00e0 guerra, \u00e9 porque <i>as classes dominantes envolvidas s\u00e3o moldadas por uma cultura de apropria\u00e7\u00e3o\/domina\u00e7\u00e3o dos bens comuns essenciais \u00e0 vida.<\/i> <span lang=\"it-IT\">Chegaram mesmo a destruir o conceito de bens comuns p\u00fablicos mundiais. No que diz respeito \u00e0 \u00e1gua, reduziram-na a um importante recurso econ\u00f3mico estrat\u00e9gico, a um ativo financeiro, para o seu poder, a sua competitividade e o seu enriquecimento. Transformaram-na numa ferramenta de guerra.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: x-large;\"><span lang=\"it-IT\"><b>B. Propostas<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">Com base no exposto, o desafio planet\u00e1rio da \u00e1gua e da vida \u00e9: <\/span><span lang=\"it-IT\"><i>como recriar as condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a da vida para todos os habitantes da Terra (incluindo todas as esp\u00e9cies vivas), revertendo as tend\u00eancias atuais<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">?<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>6<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\"><i>. <strong>A perspetiva na qual propomos situar-nos \u00e9 o ano de 2048<\/strong><\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"><strong>.<\/strong><br \/>\nA <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>escolha do Horizonte 2048<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\"> significa refletir sobre o futuro da Terra:<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">&#8211; 100 anos ap\u00f3s a <u>Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem. <\/u>Um horizonte de renascimento dos direitos universais \u00e0 vida, e<\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">&#8211; 400 anos ap\u00f3s o Tratado de Westf\u00e1lia (1648), que deu origem ao <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>princ\u00edpio e \u00e0 era do Estado soberano<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\"> e que, tal como sublinhado no ponto <\/span><span lang=\"it-IT\"><b>2<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\">, se tornou um fator que bloqueia o futuro pol\u00edtico-institucional da Humanidade. O Estado nacional vendeu a sua \u00absoberania\u00bb a grupos multinacionais do mundo dos neg\u00f3cios e das finan\u00e7as, vendendo tamb\u00e9m a soberania e a independ\u00eancia dos povos.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>7. A pol\u00edtica global da \u00e1gua. Nove objetivos<\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>Objetivo 1.<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\"> Reconstituir os alicerces da seguran\u00e7a da vida na Terra, come\u00e7ando pela cessa\u00e7\u00e3o total das emiss\u00f5es de gases com efeito de estufa.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>Objetivo 2.<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\"> P\u00f4r fim ao envenenamento qu\u00edmico das \u00e1guas.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>Objetivo 3<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\">. Abolir as patentes sobre os seres vivos e sobre a IA a t\u00edtulo privado e com fins lucrativos. O conhecimento deve voltar a ser um bem comum p\u00fablico mundial.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>Objetivo 4<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\">. Por uma Carta Planet\u00e1ria dos Bens Comuns P\u00fablicos Mundiais. Reconhecer a personalidade jur\u00eddica dos rios, dos lagos e das zonas h\u00famidas<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>Objetivo 5.<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\"> Por uma Nova Arquitetura Financeira do mundo, \u00abA Caixa Comum Planet\u00e1ria\u00bb. Libertar a \u00e1gua e todos os bens comuns essenciais \u00e0 vida do dom\u00ednio da financeiriza\u00e7\u00e3o e da tecnocratiza\u00e7\u00e3o agressivas.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>Objetivo 6.<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\"> Cria\u00e7\u00e3o do Parlamento Planet\u00e1rio da \u00c1gua, express\u00e3o e local de exerc\u00edcio da soberania partilhada dos habitantes da Terra.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>Objetivo 7.<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\"> P\u00f4r fim ao sufocamento dos rios, lagos e zonas h\u00famidas (\u00ab<\/span><span lang=\"it-IT\"><i>art\u00e9rias da Terra<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">\u00bb) pelas grandes barragens.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>Objetivo 8.<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\"> P\u00f4r fim \u00e0 \u00abpetroliza\u00e7\u00e3o\u00bb da \u00e1gua, em geral, e \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o mundial das \u00e1guas minerais naturais segundo o modelo denominado \u00abcocacoliza\u00e7\u00e3o\u00bb, em particular, sendo ambas fontes importantes de devasta\u00e7\u00e3o ambiental \u00e0 escala do planeta<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>Objetivo 9<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\">. Declarar ilegal a pobreza\/exclus\u00e3o. \u00c9 inaceit\u00e1vel que o poder de compra seja a chave de acesso ao direito \u00e0 \u00e1gua e a outros direitos universais. <\/span>A gratuidade dos direitos \u00e0 vida \u00e9 a justi\u00e7a entre iguais.<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Os nove objetivos em pormenor<\/b><\/p>\n<p align=\"justify\"><b>8<\/b>.<b>Objetivo 1.<\/b> <i>Restabelecer os alicerces da seguran\u00e7a da vida, acima de tudo, atrav\u00e9s da cessa\u00e7\u00e3o total das emiss\u00f5es de gases com efeito de estufa<\/i><\/p>\n<p align=\"justify\">Em vez de diminu\u00edrem, as emiss\u00f5es mundiais de CO\u2082 continuam a aumentar. <span lang=\"it-IT\">O objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 \u00b0C j\u00e1 \u00e9 um fracasso, pois o limite acaba de ser ultrapassado! \u00c9 preciso repeti-lo: isto \u00e9 <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>inadmiss\u00edvel<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\">. As emiss\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o o resultado de causas naturais, mas sim da a\u00e7\u00e3o humana, uma consequ\u00eancia de um sistema econ\u00f3mico baseado na utiliza\u00e7\u00e3o de energias f\u00f3sseis (carv\u00e3o, petr\u00f3leo, g\u00e1s natural\u2026). No entanto, <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>\u00e9 poss\u00edvel<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\"> reduzi-las e desenvolver um sistema social de vida na Terra baseado em energias renov\u00e1veis (solar, e\u00f3lica, biomassa\u2026) e na poupan\u00e7a energ\u00e9tica. At\u00e9 a Global Water Intelligence (GWI) afirmou que \u00ab<\/span><span lang=\"it-IT\"><i>, em \u00faltima an\u00e1lise, a solu\u00e7\u00e3o mais econ\u00f3mica \u00e9 a emiss\u00e3o zero<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"> \u00bb. \u00c9 preciso travar o derretimento das geleiras e das calotas polares antes que se torne irrevers\u00edvel e irrepar\u00e1vel. Mais de 2 mil milh\u00f5es de pessoas, incluindo numerosas popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, dependem das geleiras e da neve para o seu abastecimento de \u00e1gua doce.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">\u00c9 necess\u00e1rio que os habitantes dos Estados Unidos lutem para que este pa\u00eds deixe de boicotar os esfor\u00e7os de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es por parte da maioria dos pa\u00edses do mundo. Por seu lado, os europeus devem revoltar-se contra o abandono do Plano Verde Europeu e a sua substitui\u00e7\u00e3o por um Plano Industrial Europeu imposto pela ind\u00fastria qu\u00edmica europeia e apoiado pelo mundo financeiro. As lutas dos cidad\u00e3os s\u00e3o indispens\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>9<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\">. <\/span><span lang=\"it-IT\"><b>Objetivo 2.<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\"> P\u00f4r fim <\/span><span lang=\"it-IT\"><i>ao envenenamento qu\u00edmico das \u00e1guas da Terra.<\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">Prop\u00f5e-se<\/p>\n<p align=\"justify\">a) proibir todos os poluentes (pesticidas, contaminantes farmac\u00eauticos, PFAS\u2026), e<\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">b) aprovar a cria\u00e7\u00e3o de uma autoridade planet\u00e1ria, <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>o Conselho Planet\u00e1rio dos Cidad\u00e3os e Cidad\u00e3s para a Seguran\u00e7a da \u00c1gua<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\">, sob a responsabilidade, o controlo e o acompanhamento do <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>Parlamento Planet\u00e1rio da \u00c1gua<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\"> (ver tamb\u00e9m Objetivo 6). A iniciativa dever\u00e1 ser tomada sob o impulso de numerosos parlamentos nacionais e com o apoio de v\u00e1rias centenas de comunidades locais. <\/span>O Tribunal Internacional de Justi\u00e7a estabeleceu que \u00ab<i>Contaminar as \u00e1guas \u00e9 um crime<\/i>\u00bb. <span lang=\"it-IT\">O princ\u00edpio \u00ab<\/span><span lang=\"it-IT\"><i>\u00c9 proibido poluir<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">\u00bb deve prevalecer sobre o princ\u00edpio \u00ab<\/span><span lang=\"it-IT\"><i>quem polui paga<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"> \u00bb.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">Um imperativo fundamental \u00e9 investir maci\u00e7amente na recupera\u00e7\u00e3o dos oceanos, eliminando a sobrepesca, travando a gan\u00e2ncia das empresas em rela\u00e7\u00e3o aos minerais que repousam nas profundezas dos oceanos e reduzindo a zero a polui\u00e7\u00e3o por pl\u00e1stico. O fracasso, em junho de 2025, na aprova\u00e7\u00e3o do Tratado Internacional sobre os Pl\u00e1sticos demonstra, mais uma vez, a irresponsabilidade e a incapacidade dos grupos dominantes do mundo de agir em prol do bem comum e dos direitos \u00e0 vida para todos, incluindo as gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><i>Para assentar em bases s\u00f3lidas a prossecu\u00e7\u00e3o dos dois primeiros objetivos, \u00e9 necess\u00e1rio abordar a escolha pol\u00edtica fundamental efetuada pelo sistema dominante \u00abocidental\u00bb relativamente ao patenteamento da vida e do conhecimento, nomeadamente a patenteabilidade privada da vida com fins lucrativos.<\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><i><b>10.<\/b><\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"><b> Objetivo 3<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\">. <\/span><span lang=\"it-IT\"><i>Abolir as patentes privadas e com fins lucrativos sobre a vida e o conhecimento<\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">O conhecimento deve voltar a ser um bem comum p\u00fablico mundial sob a responsabilidade direta da Humanidade. Manter as patentes significa que os Estados atribuem a propriedade e o controlo da vida a entidades privadas cujo \u00fanico objetivo que importa \u00e9 salvaguardar os seus interesses e o seu poder. De acordo com o relat\u00f3rio de 2024 da OMPI (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Propriedade Intelectual), foram concedidas mais de 120 000 patentes nos \u00faltimos anos nos dom\u00ednios da vida e da IA. Tendo em conta que a OMC (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio), criada em 1994, <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>\u00e9 indevidamente o <\/u><\/span><span lang=\"it-IT\"><i><u>principal organismo internacional regulador das patentes<\/u><\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"><i>, \u00e9 necess\u00e1rio substituir a OMC por um <\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">novo Tratado sobre o Com\u00e9rcio e criar uma nova institui\u00e7\u00e3o, <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Conhecimento como Bem Comum dos Habitantes da Terra. \u00c9 necess\u00e1rio impedir que os grandes grupos de alta tecnologia do mundo continuem a ser \u00abos senhores da vida\u00bb.<\/u><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>11<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\">. <\/span><span lang=\"it-IT\"><b>Objetivo 4<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\"><u>.<\/u><\/span> <span lang=\"it-IT\"><i>Por uma Carta Planet\u00e1ria dos Bens Comuns P\u00fablicos Mundiais. Reconhecer a personalidade jur\u00eddica dos rios, dos lagos e das zonas h\u00famidas<\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>A Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a \u00c1gua, de dezembro de 2026, <\/b><\/span><span lang=\"it-IT\">acima referida<\/span><span lang=\"it-IT\"><b>, deve ser a ocasi\u00e3o para reconhecer dois princ\u00edpios:<\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>&#8211;<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\"><i><u>a \u00e1gua para a vida<\/u><\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"><u> \u00e9 um bem comum p\u00fablico mundial n\u00e3o pass\u00edvel de apropria\u00e7\u00e3o privada<\/u><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>&#8211; <\/b><\/span><span lang=\"it-IT\"><i><u>o direito da \u00e1gua \u00e0 vida, \u00e0 sua integridade,<\/u><\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"> conferindo, entre outros, personalidade jur\u00eddica aos rios, lagos e zonas h\u00famidas.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><u>O conceito de gest\u00e3o p\u00fablica dos bens e servi\u00e7os<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\"> j\u00e1 n\u00e3o faz parte, na maioria dos casos, da cultura e da agenda pol\u00edtica dos nossos pa\u00edses. As medidas acima referidas dever\u00e3o permitir restabelecer o car\u00e1ter p\u00fablico do poder pol\u00edtico das nossas sociedades. Uma das consequ\u00eancias mais nefastas da financeiriza\u00e7\u00e3o da vida e da natureza \u00e9 a perda do papel fundamental das comunidades locais e da sua autonomia financeira. <\/span>Est\u00e3o \u00e0 merc\u00ea dos detentores privados de capital e s\u00e3o obrigadas a endividar-se nos mercados de capitais. Cabe aos pr\u00f3prios cidad\u00e3os reinventar os meios de a\u00e7\u00e3o aut\u00f3noma das comunidades. <span lang=\"it-IT\">S\u00e3o numerosas as iniciativas. <\/span><span lang=\"it-IT\"><i>\u00c9 indispens\u00e1vel uma campanha cidad\u00e3 de \u00e2mbito mundial.<\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">No que diz respeito ao reconhecimento jur\u00eddico dos corpos de \u00e1gua, alguns pa\u00edses j\u00e1 o concederam: o Equador <\/span><span lang=\"it-IT\"><i>(rio Machangara<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">) chegou mesmo a inscrever os direitos da natureza na sua Constitui\u00e7\u00e3o, sendo o primeiro pa\u00eds a faz\u00ea-lo; a Col\u00f4mbia (<\/span><span lang=\"it-IT\"><i>Atrato<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"> e outros 13 cursos de \u00e1gua, bem como a floresta amaz\u00f3nica colombiana), a Nova Zel\u00e2ndia (<\/span><span lang=\"it-IT\"><i>Wanganui<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">), a \u00cdndia (<\/span><span lang=\"it-IT\"><i>Gange<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">, <\/span><span lang=\"it-IT\"><i>Yamuna<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">), os Estados Unidos, a Espanha (a zona h\u00famida <\/span><span lang=\"it-IT\"><i>Mar Interior<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">), o Peru (<\/span><span lang=\"it-IT\"><i>Maranon<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">), o Quebeque (<\/span><span lang=\"it-IT\"><i>Magpie<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">), a Fran\u00e7a (o <\/span><span lang=\"it-IT\"><i>Tavignanu, na C\u00f3rsega<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">), a Inglaterra (<\/span><span lang=\"it-IT\"><i>Ouse<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">). O Bangladesh reconheceu, em 2019, todos os rios como pessoas coletivas e entidades vivas. Em It\u00e1lia, a mobiliza\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os intensificou-se em rela\u00e7\u00e3o ao <\/span><span lang=\"it-IT\"><i>Lago de Garda<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"> (V\u00e9neto) e ao rio <\/span><span lang=\"it-IT\"><i>Tagliamento<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"> (Friuli). <\/span><span lang=\"it-IT\"><i>\u00c9 necess\u00e1rio intensificar os processos de reconhecimento. Est\u00e1<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"> em jogo o futuro da \u00e1gua da Terra e a vida da comunidade global do Planeta.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>12<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\">. <\/span><span lang=\"it-IT\"><b>Objetivo 5.<\/b><\/span> <span lang=\"it-IT\"><i>Por uma Nova Arquitetura Financeira Planet\u00e1ria<\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">Liberar a \u00e1gua e todos os bens comuns essenciais \u00e0 vida da submiss\u00e3o \u00e0 financeiriza\u00e7\u00e3o e tecnocratiza\u00e7\u00e3o avassaladoras, fatores que agravam a preda\u00e7\u00e3o da vida e as desigualdades sociais.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><i><b>A \u00e1gua n\u00e3o \u00e9 o \u00abouro azul\u00bb. A ONU deve afirm\u00e1-lo com veem\u00eancia. A \u00e1gua tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um \u00abativo financeiro\u00bb. A \u00e1gua n\u00e3o \u00e9 \u00abpropriedade\u00bb das classes dominantes.<\/b><\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">\u00c9 absolutamente ilus\u00f3rio pensar que o atual sistema financeiro, em vias de refor\u00e7o de acordo com as l\u00f3gicas agressivas da revolu\u00e7\u00e3o da IA ao estilo cultural de \u00abStar Wars\u00bb e do \u00abSenhor dos An\u00e9is\u00bb, possa promover uma finan\u00e7a ao servi\u00e7o do bem-estar material e imaterial de todos.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">Em vez de proteger a natureza e a sua biodiversidade, a redu\u00e7\u00e3o da natureza a ativos financeiros permite a biopirataria planet\u00e1ria sob novas formas. Na base da nova aristocracia tecnocr\u00e1tica, n\u00e3o est\u00e1 a IA, mas sim a escolha ideol\u00f3gica dos seres humanos dominantes que reduziram a natureza a ativos financeiros e a vida, em geral, a mercadorias. Estas l\u00f3gicas levam a acentuar a escassez quantitativa e qualitativa da \u00e1gua atrav\u00e9s do crescimento dos mercados mundiais da \u00e1gua, em particular nos dom\u00ednios do tratamento e reciclagem de \u00e1guas residuais, na potabiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, na dessaliniza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do mar, na digitaliza\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o da fatura\u00e7\u00e3o e na dete\u00e7\u00e3o remota de fugas. <\/span><i>\u00c9 necess\u00e1rio travar a multiplica\u00e7\u00e3o exponencial dos centros de dados, grandes consumidores de \u00e1gua, em detrimento das necessidades de \u00e1gua pot\u00e1vel das fam\u00edlias e de outras atividades econ\u00f3micas essenciais \u00e0 vida. <\/i><span lang=\"it-IT\">Est\u00e1 em curso uma nova onda de esgotamento dos aqu\u00edferos. Um n\u00famero crescente de comunidades locais luta agora para defender os seus direitos. No \u00e2mbito deste Objetivo, propomos duas iniciativas:<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">&#8211; a cria\u00e7\u00e3o de uma <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>Ag\u00eancia Planet\u00e1ria de Intelig\u00eancia Artificial<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\">, encarregada de assegurar, <\/span><span lang=\"it-IT\"><i>mutatis mutandis,<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"> as fun\u00e7\u00f5es de acompanhamento, incentivo e controlo exercidas atualmente, por exemplo, pela Ag\u00eancia Internacional da Energia At\u00f3mica, e,<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">&#8211; a cria\u00e7\u00e3o de uma <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>Caixa Comum de Poupan\u00e7a e Investimento do Planeta<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\">, cuja primeira iniciativa seria lan\u00e7ar uma campanha popular para <\/span><span lang=\"it-IT\"><i>\u00abDez milh\u00f5es de cidad\u00e3os por 10 milh\u00f5es de cisternas de \u00e1gua\u00bb<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">. O objetivo da campanha ser\u00e1 promover solu\u00e7\u00f5es para a regenera\u00e7\u00e3o da \u00e1gua baseadas no sentimento de perten\u00e7a a uma comunidade humana e na responsabilidade solid\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>13. Objetivo 6<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\">. <\/span><span lang=\"it-IT\"><i>Cria\u00e7\u00e3o do Parlamento Planet\u00e1rio da \u00c1gua (PP\u00c1gua<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">), express\u00e3o institucionalizada \u00e0 escala do Planeta da consci\u00eancia de perten\u00e7a, tal como acima referido, a uma \u00abcomunidade mundial de vida\u00bb, a Humanidade.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">O PPEau ser\u00e1 o local onde se exercer\u00e1 o poder de responsabilidade coletiva dos cidad\u00e3os e dos povos \u00abHabitantes da Terra\u00bb. Expressar\u00e1 tamb\u00e9m a import\u00e2ncia do princ\u00edpio da responsabilidade da humanidade face ao princ\u00edpio da soberania absoluta dos Estados nacionais. Nenhum Estado ter\u00e1 poder de veto no seio do Parlamento Planet\u00e1rio da \u00c1gua. N\u00e3o existe uma verdadeira comunidade de vida global da Terra sem a institucionaliza\u00e7\u00e3o multifacetada da Humanidade enquanto sujeito jur\u00eddico e pol\u00edtico garante da salvaguarda e do cuidado da vida na Terra.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">Apesar das suas numerosas limita\u00e7\u00f5es e insufici\u00eancias, a Assembleia Geral da ONU, os parlamentos continentais pluri-territoriais (Parlamento Europeu, Parlatino\u2026) e as numerosas organiza\u00e7\u00f5es de coopera\u00e7\u00e3o entre as bacias hidrogr\u00e1ficas binacionais e plurinacionais do mundo demonstram que a cria\u00e7\u00e3o de um Parlamento Planet\u00e1rio \u00e9 indispens\u00e1vel e poss\u00edvel.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><i><u>Neste dom\u00ednio, a ONU deveria rever as suas posi\u00e7\u00f5es e formar um Grupo Constituinte para um Parlamento Planet\u00e1rio da \u00c1gua.<\/u><\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"> Caso algum membro do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU venha a exercer veto, caber\u00e1 a uma coliga\u00e7\u00e3o de Estados tomar a iniciativa, com o apoio de milhares de ONG ativas nos dom\u00ednios da \u00e1gua, dos direitos universais e dos bens comuns globais.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>14. Objetivo 7<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\"><i>. P\u00f4r fim ao sufocamento dos rios, lagos e zonas h\u00famidas (as \u00abart\u00e9rias da Terra\u00bb) causado pelas grandes barragens.<\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">O fluxo \u00e9 a ess\u00eancia da \u00e1gua; cerca de 60 000 barragens alteraram a textura e o bom funcionamento das \u00abart\u00e9rias\u00bb do planeta. Um exemplo muito conhecido: o rio Colorado. Um n\u00famero significativo dessas \u00abart\u00e9rias\u00bb est\u00e1 a sufocar-se e, com a ajuda da contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, a morrer. <\/span>Mais de 19 000 grandes barragens obsoletas apresentam um risco elevado de colapso, com consequ\u00eancias humanas e ambientais dram\u00e1ticas. Um bom sinal, no entanto, a este respeito: mais de 1 900 (500 na Europa) projetos de demoli\u00e7\u00e3o ou reabilita\u00e7\u00e3o de barragens antigas e outras barreiras est\u00e3o em curso.<\/p>\n<p align=\"justify\">Infelizmente, a constru\u00e7\u00e3o de grandes barragens continua. A Turquia construiu 61 grandes barragens nos rios g\u00e9meos, o Tigre e o Eufrates. <span lang=\"it-IT\">A China det\u00e9m o recorde do maior n\u00famero de barragens gigantescas, como a das Tr\u00eas Gargantas. E, contrariamente \u00e0 sua tend\u00eancia atual a favor do desenvolvimento sustent\u00e1vel, decidiu construir uma ainda mais gigantesca, tr\u00eas vezes mais potente, a barragem de Motuo, no planalto do Tibete. A \u00c1frica, por seu lado, procura seguir os seus passos.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">Conhecem-se os efeitos devastadores da constru\u00e7\u00e3o das <\/span><span lang=\"it-IT\"><i><u>grandes<\/u><\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"> barragens a n\u00edvel humano, social, ambiental, econ\u00f3mico e pol\u00edtico, nomeadamente a n\u00edvel internacional. Conhecem-se tamb\u00e9m as lutas travadas nos \u00faltimos quarenta anos contra elas e a favor de solu\u00e7\u00f5es mais \u00absustent\u00e1veis \u00bb e menos conflituosas, tais como a luta das 10 000 mulheres indianas contra a barragem no rio Narmada, sob a lideran\u00e7a de Meda Paktar, conhecida como \u00abo anjo da guarda\u00bb dos rios sagrados da \u00cdndia (s\u00e3o sete na \u00cdndia); as lutas das mulheres brasileiras do MAB (Movimento das Pessoas Afectadas pelas Barragens) contra as barragens mineiras, antes e depois do seu tr\u00e1gico colapso em <\/span><span style=\"color: #467886;\"><u><a href=\"https:\/\/reporterre.net\/Apres-la-catastrophe-ecologique-au-Bresil-l-heure-est-venue-de-rendre-des\"><span lang=\"it-IT\">Mariana<\/span><\/a><\/u><\/span><span lang=\"it-IT\"> (2015) e <\/span><span style=\"color: #467886;\"><u><a href=\"https:\/\/reporterre.net\/Bresil-les-boues-toxiques-polluent-toujours-Brumadinho\"><span lang=\"it-IT\">Brumadinho<\/span><\/a><\/u><\/span><span lang=\"it-IT\"> (2019) (30) e a do movimento chileno \u00ab<\/span><span lang=\"it-IT\"><i>Patagonia sin represas<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">\u00bb (\u00ab<\/span><span lang=\"it-IT\"><i>A<\/i><\/span> <span lang=\"it-IT\"><i>Patag\u00f3nia sem barragens<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">\u00bb), que conseguiu bloquear os projetos de constru\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias barragens no norte da Patag\u00f3nia (parte do Chile). \u00c9 urgente redefinir uma <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>Conven\u00e7\u00e3o Planet\u00e1ria sobre os Cursos de \u00c1gua da Terra<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\">.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>15. Objetivo 8.<\/b><\/span> <span lang=\"it-IT\"><i>P\u00f4r fim \u00e0 \u00abpetroliza\u00e7\u00e3o\u00bb da \u00e1gua e \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o mundial das \u00e1guas minerais naturais segundo o modelo denominado \u00abcocacoliza\u00e7\u00e3o\u00bb<\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">Em conjunto, estas pr\u00e1ticas est\u00e3o na origem de uma das formas mais devastadoras de explora\u00e7\u00e3o <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>da \u00e1gua<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\">, em termos dos valores da \u00e1gua e da vida.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">Ao reduzirem a \u00e1gua a uma mat\u00e9ria-prima de import\u00e2ncia estrat\u00e9gica para a economia \u2014 e, por isso, preciosa e indispens\u00e1vel, tal como o petr\u00f3leo, apelidado de \u00abouro negro\u00bb \u2014, os grupos dominantes passaram a chamar \u00e0 \u00e1gua \u00abo ouro azul do s\u00e9culo XX\u00bb. <\/span><span lang=\"it-IT\"><i><u>O \u00abouro azul\u00bb \u00e9 um conceito contr\u00e1rio \u00e0 \u00e1gua como fonte de vida para todos<\/u><\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"><i>. <\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">Afirma a inevitabilidade da apropria\u00e7\u00e3o privada, possessiva e exclusiva da \u00e1gua, da rivalidade competitiva pelo dom\u00ednio dos mercados e da instrumentaliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua ao servi\u00e7o da guerra.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">Por outro lado, ao reduzir a \u00e1gua mineral natural \u2014 e, posteriormente, at\u00e9 mesmo a \u00e1gua pot\u00e1vel \u2014 a um bem de consumo de massa, entregou-se a \u00e1gua nas garras dos comerciantes globais que lutam para extrair o m\u00e1ximo lucro da \u00e1gua, ignorando qualquer proclama\u00e7\u00e3o de que a \u00e1gua \u00e9 para a vida e n\u00e3o para o lucro.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">A busca do lucro, na maioria das vezes com o apoio dos poderes p\u00fablicos, conduziu, no dom\u00ednio das \u00e1guas minerais naturais, a uma situa\u00e7\u00e3o intoler\u00e1vel para os cidad\u00e3os. As comunidades\/autarquias locais venderam em concess\u00e3o \u2014 o que n\u00e3o deveriam ter feito \u2014 a gest\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o das nascentes (de facto, a propriedade) por 30 a 40 anos, ou mesmo mais. Em contrapartida, exigiram apenas uma taxa irris\u00f3ria em compara\u00e7\u00e3o com os lucros das empresas concession\u00e1rias, que ascendem a milh\u00f5es, ou mesmo milhares de milh\u00f5es, por ano. Al\u00e9m disso, n\u00e3o impuseram taxas \u00e0s empresas para cobrir os custos suportados pela coletividade devido \u00e0 grave polui\u00e7\u00e3o causada pelas garrafas de pl\u00e1stico!<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">Por isso, \u00e9 dif\u00edcil compreender <\/span><span lang=\"it-IT\"><i>a fraqueza <\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">dos controlos sobre a gest\u00e3o das \u00e1guas minerais por parte dos poderes p\u00fablicos, fonte inevit\u00e1vel de acordos de corrup\u00e7\u00e3o, como confirma o \u00faltimo esc\u00e2ndalo da Nestl\u00e9-Fran\u00e7a, que consistiu no facto de a Nestl\u00e9 ter manipulado e vendido, durante v\u00e1rios anos, certas marcas, quando qualquer \u00e1gua mineral natural n\u00e3o pode, em caso algum, por lei, em todo o mundo, ser tratada. Deve ser engarrafada tal como est\u00e1. Apenas se pode adicionar ou reduzir o di\u00f3xido de carbono.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">Por fim, a \u00ab<\/span><span lang=\"it-IT\"><i>cocacoliza\u00e7\u00e3o<\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">\u00bb das \u00e1guas minerais naturais e de nascente traduziu-se no despejo em terra e nas \u00e1guas (nomeadamente nos oceanos), em 2025, de 600 mil milh\u00f5es de garrafas de pl\u00e1stico, o que provocar\u00e1 uma contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do planeta. <\/span>\u00c9 urgente que as empresas e os poderes p\u00fablicos deixem de se limitar a promessas de redu\u00e7\u00e3o do pl\u00e1stico. <i>Os cidad\u00e3os devem recusar-se a continuar a aceitar tal situa\u00e7\u00e3o e exigir a aplica\u00e7\u00e3o de um <\/i><i><u>Compromisso pela Seguran\u00e7a e pela Responsabilidade P\u00fablica<\/u><\/i><i> ao n\u00edvel das comunidades locais no dom\u00ednio das \u00e1guas minerais naturais e de nascente<\/i>. <span lang=\"it-IT\">A este respeito, reinventar a conce\u00e7\u00e3o e a implementa\u00e7\u00e3o da Caixa Comum do Planeta (<\/span><span lang=\"it-IT\"><u>ver Objetivo 5<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\">), a partir das comunidades de base, para o financiamento dos direitos universais e dos bens comuns p\u00fablicos mundiais, <\/span><span lang=\"it-IT\"><i><u>parece-nos um caminho privilegiado a seguir rumo a uma \u00abeco-nomia\u00bb (\u00abas regras da casa\u00bb) de justi\u00e7a e solidariedade.<\/u><\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>16<\/b><\/span><span lang=\"it-IT\">. <\/span><span lang=\"it-IT\"><u>Objetivo 9.<\/u><\/span> <span lang=\"it-IT\"><i>O empobrecimento deve ser declarado um delito, um roubo da vida.<\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><u>\u00c9 preciso abandonar<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\"> o princ\u00edpio de que o poder de compra \u00e9 a base da legitima\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 \u00e1gua (e \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, aos transportes p\u00fablicos, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o\u2026). \u00c9 preciso reafirmar o princ\u00edpio da gratuidade do direito \u00e0 \u00e1gua. <\/span><span lang=\"it-IT\"><i>A gratuidade \u00e9 a justi\u00e7a entre iguais.<\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">Nas nossas sociedades, caso n\u00e3o se consiga pagar o pre\u00e7o da \u00e1gua ao pre\u00e7o de mercado, \u00e9-se exclu\u00eddo do direito \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e ao saneamento, mesmo que a \u00e1gua esteja dispon\u00edvel. Nesse caso, s\u00f3 se tem direito a ser benefici\u00e1rio de ajuda p\u00fablica, da miseric\u00f3rdia estatal ou privada, da benefic\u00eancia ou do \u00abneg\u00f3cio da caridade\u00bb. <\/span><span lang=\"it-IT\"><i><u>Isto significa que n\u00e3o \u00e9 a falta de \u00e1gua que torna as pessoas pobres. O fator gerador da exclus\u00e3o do acesso \u00e0 \u00e1gua, por raz\u00f5es jur\u00eddicas, econ\u00f3micas ou pol\u00edticas, \u00e9<\/u><\/i><\/span> <span lang=\"it-IT\"><i><u>o empobrecimento<\/u><\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">. Este \u00faltimo provoca a escassez de \u00e1gua (<\/span><span lang=\"it-IT\"><u>ver Objetivo 4).<\/u><\/span><span lang=\"it-IT\"> O empobrecimento \u00e9 utilizado como fundamento para uma opera\u00e7\u00e3o cultural e ideol\u00f3gica ultrajante: a criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">No entanto, a China, o Vietname e o Kerala (na \u00cdndia) conseguiram, nos \u00faltimos anos, combater os fatores estruturais que geram a pobreza extrema. Comunicaram oficialmente \u00e0 ONU que, nos seus pa\u00edses, j\u00e1 n\u00e3o existem pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza extrema, de acordo com os par\u00e2metros definidos pelo Banco Mundial. Isto significa <\/span><span lang=\"it-IT\"><i><u>que \u00e9 poss\u00edvel eliminar a pobreza extrema<\/u><\/i><\/span><span lang=\"it-IT\"> se os poderes p\u00fablicos fizerem disso um objetivo priorit\u00e1rio e o perseguirem de forma coerente e permanente ao longo de um per\u00edodo prolongado.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><i><u>A erradica\u00e7\u00e3o efetiva da pobreza absoluta constitui um instrumento fundamental para garantir a disponibilidade de \u00e1gua pot\u00e1vel e de saneamento para todos. <\/u><\/i><\/span><span lang=\"it-IT\">Na realidade,<\/span><span lang=\"it-IT\"><u> n\u00e3o se \u00e9 pobre por falta de \u00e1gua; \u00e9 a pobreza que cria a falta de \u00e1gua. <\/u><\/span><span lang=\"it-IT\">Como se depreende de tudo o que destac\u00e1mos, <\/span><span lang=\"it-IT\"><i><u>a natureza determina as diferen\u00e7as territoriais na disponibilidade e acessibilidade quantitativa e qualitativa da \u00e1gua pot\u00e1vel para uso humano, mas \u00e9 a sociedade que cria as desigualdades.<\/u><\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>Conclus\u00e3o<\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">Existem solu\u00e7\u00f5es para um futuro diferente da vida e da \u00e1gua. <\/span>Entre as mais significativas para a mudan\u00e7a, destacam-se, na nossa opini\u00e3o:<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00b7 <i>A redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica, sem mais demora, das emiss\u00f5es de gases com efeito de estufa<\/i><\/p>\n<p align=\"justify\">\u00b7 <i>A aboli\u00e7\u00e3o das patentes privadas e com fins lucrativos sobre os seres vivos e a IA<\/i><\/p>\n<p align=\"justify\">\u00b7 <i>A erradica\u00e7\u00e3o dos fatores de empobrecimento que geram pobreza e exclus\u00e3o<\/i><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\">\u00b7 <\/span><span lang=\"it-IT\"><i>A liberta\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e de todos os bens comuns p\u00fablicos essenciais \u00e0 vida da sua submiss\u00e3o \u00e0s l\u00f3gicas predat\u00f3rias da mercantiliza\u00e7\u00e3o, privatiza\u00e7\u00e3o e financeiriza\u00e7\u00e3o da economia e da tecnocratiza\u00e7\u00e3o belicista da sociedade.<\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"it-IT\"><b>Redigido em Cascais, Bruxelas, Nova Deli, Roma, Ros\u00e1rio, Cohaique e Montreal<\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Primeiros signat\u00e1rios:<\/b><\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Jo\u00e3o Cara\u00e7a, <\/b>antigo diretor de Ci\u00eancia e Educa\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o C. Gulbenkian<u>, Portugal;<\/u> <b>Emanuel Dimas de Melo Pimenta<\/b>, Arquitecto, Membro da Academia de Ci\u00eancias de Nova York, Sociedade Americana para o Progresso, Academia das Artes e Ci\u00eancias e Letras de Paris, compositor de m\u00fasica contempor\u00e2nea <u>Portugal;<\/u><b> <\/b><b>Ernenek Duran<\/b>, Pr\u00e9sident de la Fondation One Drop, Montr\u00e9al,<u> CND-Qu\u00e9bec\u00a0; <\/u><b>Anibal Faccendini, <\/b>Director de la Catedra de l\u2019 Agua, Universidad Nacional da Rosario, <u>Argentina\u00a0<\/u><b>; Silvestre Fonseca,\u00a0<\/b>Compositor, guitarra cl\u00e0ssica (Duarte Costa), concertiste, \u00e9crivain, <u>Portugal\u00a0;<\/u> <b>Melissa Gingreau,<\/b> Porte-parole \u00ab\u00a0Bassines NON Merci\u00a0\u00bb\u00a0, France\u00a0; <b>Luis Infanti de la Mora<\/b>, Bispo, da diocese de Aysen, Patagonia Norte, <u>Chile\u00a0;<\/u> <b>Carlos Fernandez- Jaureguy<\/b>, Unesco, Presidente da Wasa-gn, <u>Bolivie\u00a0,<\/u> <b>Roberto Louvin<\/b>, Pprofessor de Direito comparado, Universit\u00e9 de Trieste, <u>Italia<\/u>\u00a0; <b>Margarida Monteiro Ruas<\/b>, Directora Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Wasa-GN, Professora e investigadora, Universidade de Coimbra e de Lisboa,\u00a0<u>Portugal\u00a0<\/u>; <b>Sunita Narain, <\/b>Diretora-Geral do CSE -Centre for Science and Environnent , New Dheli, Inde\u00a0; <b>Riccardo Petrella<\/b>, Fundador Contrat Mondial de l\u2019Eau, Professor Emerito de Universit\u00e9 de Louvain, <u>Belgica\u00a0;<\/u> <b>Pietro Pizzuti,<\/b> Ator, Coletivo de Artistas da \u00c1gora dos Habitantes da Terra, Bruxelas, B<u>\u00e9lgica<\/u>; <b>J\u00falio Quaresma, <\/b>Arquitecto, Diplomata, pintor , designer, escultor, mestre da luz, <u>Portugal\u00a0;<\/u> <b>V\u00edtor F. Rodrigues<\/b>, Doutor Professor em Psicologia, Psicoterapeuta, <u>Portugal\u00a0<\/u>; <b>Roberto Savio,<\/b> fundador de l\u2019IPS et de Other News, Roma, <u>Italia\u00a0<\/u>; <b>Luisa Schmidt, <\/b>investigadora Professora Doutora Instituto Ci\u00eancias Sociais da Universidade de Lisboa.<u>Portugal\u00a0<\/u><b>; Isabel Soares,<\/b> Presidente da Funda\u00e7\u00e3o Mario Soares Maria Barroso\u00a0, Lisbonne<u>, Portugal<\/u>\u00a0; <b>Salvato Teles de Menezes, <\/b>Professor Doutor\u00a0 Presidente da Funda\u00e7\u00e3o D. Lu\u00eds Cascais, <u>Portugal<\/u>.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o se trata de restaurar um passado em decl\u00ednio, mas de abrir novos horizontes de possibilidades para o futuro, rumo a um mundo mais justo, mais solid\u00e1rio e mais pac\u00edfico. De onde vem o Apelo? O Apelo de Cascais surgiu no \u00e2mbito da primeira edi\u00e7\u00e3o da Bienal da \u00c1gua 2026 de Portugal, centrada no tema [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":3893,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[96,61],"tags":[],"chapitres":[],"structures":[],"class_list":["post-3889","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-actions","category-eau"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3889"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3889"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3889\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3901,"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3889\/revisions\/3901"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3893"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3889"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3889"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3889"},{"taxonomy":"chapitres","embeddable":true,"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/chapitres?post=3889"},{"taxonomy":"structures","embeddable":true,"href":"https:\/\/agora-humanite.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/structures?post=3889"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}